topbella

domingo, 23 de janeiro de 2011

A ROSA VERMELHA


E ela se olha no espelho, como em uma última tentativa de um náufrago de encontrar terra firme. Busca algo que lhe foge à memória, contudo , de alguma forma, sabe que lhe é essencial.
A respiração ofegante faz com que cada segundo se transforme em um impulso mudo mas contundente que faz soar, como batida na pedra ,o som do seu coração.
Quem é ela? Quem é ela?l
Tarde demais. Ele chegou.
E se aproxima com aquele olhar tão conhecido e enebriante feito sono das noites frias de amor..
E, de repente, o coração dela passa a bater tão compassado e o sangue que antes corria como rio de correnteza de cachoeira enfurecida, passa a caminhar semelhante às águas de um igarapé que conversa com o luar.
Ela o vê pelo espelho , a mesma rosa vermelha na mão direita, o mesmo sorriso de pôr-do-sol refletido nos olhos do patinho azul que nada na lagoa. Ela tenta desviar o olhar, talvez ainda haja uma rota de fuga. Entretanto, como um pescador que lança sua rede ao mar, ele a enlaça. Impossível reagir.
Ele a convida para dançar, a mesma dança de sala vazia. O mesmo passo silencioso das estradas desertas sem direção.
E os dois parecem flutuar no ar de reticências e interrogações. E, juntos formam ninguém. Uma simbologia representativa do estreito labirinto da vida dessa mulher que associa sua vida a um eterno voo de asa delta, sem paraquedas.Vivendo sempre correndo em uma estrada de altíssima velocidade, onde é constante o perigo da colisão.
Ele a abraça cada vez mais forte, como em um delírio das tardes de sol dos eternos verões paraenses.
E o abraço se intensifica . Não é mais possível conter as lágrimas de tempestade que cortam seu rosto de senhora cansada na estação do trem.
Ele a consola lhe ofertando a rosa. Ela a recebe com uma das mãos, e ele continua dançando loucamente . E o turbilhão das voltas dançantes faz com que ela perca a noção do que é realmente real.
Não há mais certezas. Afinal, o que é viver?
Preciso me segurar em algo. Algo que me dê vontade de voltar. Cruzar a ponte e ver o sorriso da Graciosa.
Preciso ter vontade de voltar. Preciso segurar em algo.
A rosa vermelha , só ela consigo sentir nas mãos. Ela é a minha razão.
Essa dança.......Essa música....Minha família, meu cosmos de AMOR.
Não quero voltar, mas preciso ir.
A música continua , ele me abraça cada vez mais forte. Não entendo qual o caminho que percorreremos juntos, mas decido que lutar contra ele,- O DESTINO, é batalha perdida.
Preciso de uma razão para voltar. Rosa vermelha não me deixe.
Continuo dançando e aperto a rosa tão firmemente que seus espinhos dilaceram minhas mãos. E o vermelho da rosa se mistura com a cor da saudade que insiste em nadar nos mares de sangue do meu coração.

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Elienai Lorelai
Sou alguém que brinca com as palavras para redimensionar fatos da realidade. Afinal, a VIDA é muito mais linda com um toque de literatura e poesia. Boa leitura a todos!
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