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segunda-feira, 19 de março de 2012

LENÇOL BRANCO COM BOLINHAS VERMELHAS- Uma odisséia de AMOR que tentei transformar em palavras.



O mundo, realmente, conspira para o imprevisível.
O motor do ônibus cantarolava um ronco musical que era acompanhado pelo sopro frenético do vento, fazendo com que os capins dançassem às margens da longa estrada, em uma coreografia estranha mas alegre e ritmada.
As batidas do meu coração mergulhavam e sincronizavam em uma sinfonia de sentimentos tão antagônicos. Meus pensamentos flutuavam entre o oceano de saudades de minha casa e a necessária doçura do retorno à capital do eterno sol do meio-dia.
A previsibilidade da viagem tão costumaz fazia com que tudo parecesse infinitamente conhecido. Simplesmente rotineiro.
Subitamente, o ronco cansado do ônibus cessou. Então, abri os olhos forçadamente, como um ritual automático mas sem sentido. Não consigo precisar se senti alívio ou cansaço, somente, permiti-me observar a rodoviária daquela cidade com nome de dama da alta nobreza. Quitei-me nesse pensamento , quando senti a poltrona ao meu lado ser habitada por um estranho.
Como essa percepção me causou irritação. Afinal, as duas poltronas do ônibus eram minhas ilhas particulares, até aquele momento. Minhas, só minhas. Na ilha particular com visão privilegiada da janela, eu sonhava e a ocupava com os meus contos de fadas particulares. Na outra , precisamente, a poltrona do corredor, era minha ilha do mundo real. Nela, eu guardava todos os meus bens materiais : Um lençol, um par de meias e um livro.
Quando precebi que ela estava sendo invadida por um bárbaro. Retirei-me para minha ilha da janela, assim, sem ao menos olhar para aquele viking saqueador de poltronas alheias. Antes que esse cruel e sanguinário invasor se apossasse dos meus bens, retirei-os em uma jangada de ímpeto sem olhar para o vizinho indesejado.
Como meus limites geográficos passaram a se reduzir à minha ilha da janela, resolvi dormir. Que a ilha do corredor ficasse ocupada por um estranho que seria para mim, durante o restante da viagem, somente, um mero desconhecido.
Dormi o sono da irritação, como uma rainha que perde parte do seu reinado para um guerreiro inesperado. Fiquei mentalizando, como na Arte da Guerra, a melhor forma de reconquistar meu território.
Foi quando um pensamento, que saltita e estoura como bombinha de São João, saiu pipocando desregradamente na minha mente. “ E, se durante o meu sono, o bárbaro sequestrador de poltronas tivesse descido em algum lugar ermo e solitário no meio da estrada? “ Senti-me feliz com a possibilidade de reconquista tão imimente.
Resolvi me certificar se o inimigo havia partido. Olhei abruptamente para o lado. E..........
Mergulhei , sem querer, na vastidão do azul de um olhar tão profundo. Tentei nadar para o longe, tentei fugir, mas era um azul tão azul!
Meus olhos desviaram como cometas em fuga . Mas o olhar dele era o azul do céu que eu sempre sonhei em ficar. Assustei e ele esboçou um sorriso.
Emudeci enquanto ele pronunciava palavras que já eram tão comuns nos meus sonhos. Falamos sobre tudo e nada. Sentia a cada segundo que eu já o conhecia. Sim , a Lorelai já havia me falado sobre ele. . Até as músicas que gostávamos eram as mesmas. Desejei, da mais pura profundidade da alma, que aquela viagem se prolongasse por dias.
Mas o meu destino final se fez presente, ele continuaria a viagem. Que vontade de ir junto!
Pensei em pedir o número do seu telefone, seu email, seu endereço, dizer que eu ia enviar um sinal de fumaça quando sentisse saudade, que ia escrever de vez em quando, que ia encontrar com ele em qualquer planeta que ele desejasse, que contaria para ele as mais lindas histórias de amor, que deixaria ele conquistar cada tiquinho do meu coração.
Mas..........pensar não é ter coragem de externizar com palavras a intensidade do que sentimos no coração. Por isso, só imaginei.
Despedi-me ali, mas que vontade de ficar!
Que desejo de lhe dizer o quanto ele era especial!
Desci, sem olhar para trás.
Repentinamente, senti meu braço ser tocado por mãos que eu já sentira nos meus devaneios.
Era ELE!
“Você esqueceu isso na poltrona”- disse com um olhar de suspeita indecisão.
Então, no meu mundo tão particular, nadei no azul dos seus olhos, acariciei sua mãos, deixei com que ele susurrasse no meu ouvido e senti a sua respiração tão próxima .... que chegamos a parecer um enigma do destino.
Mas , no meu mundo real, isso só são pensamentos.
Limitei-me a responder “Fique para você!” E não vi quando saí correndo com as malas sem olhar para trás.
Por quê? Não sei!
O azul daquele olhar aprisionei no meu coração, a doçura daquelas palavras acalentam as minhas noites de insônia. Esse sentimento estranho das coisas que não vivi é meu amigo inseparável. A saudade do que poderia ter sido me faz conversar toda noite com as estrelas.
A lembrança dele emudece minha alma.
Talvez ele não recorde mais quem sou. Não importa. Nesse mundo de Lorelai, tudo é possível, não é mesmo?
Então, imagino que todas as noites, ele encosta a cabeça no meu “lençol branco com bolinhas vermelhas” e, SUTILMENTE, adormece em sonhos de amor.
Meus sonhos de AMOR!

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Elienai Lorelai
Sou alguém que brinca com as palavras para redimensionar fatos da realidade. Afinal, a VIDA é muito mais linda com um toque de literatura e poesia. Boa leitura a todos!
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