topbella

segunda-feira, 23 de abril de 2012

O VOO DA ILUSÃO

Na cidade de luas suicidas, parecia que a música de feriado me faria bailar a mesma dança solitária das noites de lágrimas, paixão e sonhos. Eu, sempre intensa, dialoguei com aquela noite negra e desafiadora. Afirmei que, definitivamente, não queria a previsibilidade. Queria o sonho, o voo da serpente- borboleta rumo ao infinito de desejos que clama minha alma de poetisa. Buscando viver grandes amores impossíveis que habitam meu imaginário de sentimentos, fazendo-me, diariamente, padecer de amar. Quando o vi chegar, comparei-o a Adamastor, o gigante de pedras camoniano. Sua altura, sua sisudez, seu silêncio encantador, seu olhar de farol solitário de uma deserta praia paraense. Realmente uma beleza mitológica, por isso digna somente de ser contemplada a distância. Mas pergunto a vocês? Como ficar distante do que nos atrai? No baú dos sentimentos inerentes ao meu ser, busquei a coragem para olhá-lo nos olhos, mas ela havia saído para um passeio em Taquaruçu. Como sempre, a timidez e a insegurança foram os únicos sentimentos que me abraçaram e se dispuseram a me fazer companhia naquela rua com nome de presidente. A simples presença muda dele naquele lugar fez com que tudo se transformasse em uma harmônica euforia que me fazia sorrir com o simples murmurar do vento que anunciava a madrugada. Quando ele se sentou comigo à mesa, optei por não refletir se aquilo era sonho ou realidade. Deixei-me, simplesmente, debruçar naquele encantamento sedutor que insistia em me fazer acreditar no impossível. De repente, no auge da minha timidez, as palavras pareceram fugir dos meus sentidos. Fez -se, entre nós, o silêncio que inebria os olhos do coração. Desviei o olhar para o céu, talvez buscando um assunto com as estrelas. Foi quando olhei para a constelação de Ursa maior e vi Ci, a mãe do mato que estava namorando Macunaíma. A estrela então sussurrou no meu ouvido. Dispus-me somente a comentar com ele “Linda Lua”. Imediatamente, ele respondeu “quer tocá-la?” E, em um desses devaneios que só existem no Mundo de Lorelai, ele entrelaçou suas mãos com as minhas e me convidou para fazer a viagem. E, como ele houvera me informado que a cabine fazia frio, cobri-me com meu lençol branco com bolinhas vermelhas antes de partirmos. Ele pilotou um P-51 Mustang, o mesmo avião americano utilizado na II Guerra Mundial. Literalmente ele me fez voar entre as estrelas. Contou-me dos seus desejos e, definitivamente, seduziu-me quando disse que sempre voava conversando com a Lua. E deixou que eu a tocasse, de forma tão leve, que fez com que eu acreditasse que há pessoas que, literalmente, fazem- nos sentir no ar. Mas TUDO foi tão rápido que nem tive tempo de dizer que aquela tinha sido a viagem de avião mais interessante que eu havia feito. Se não vou poder dizer o que senti pessoalmente, eternizo nesse conto o meu VOO DE ILUSÃO.

0 comentários:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.

Sobre Mim

Minha foto
Elienai Lorelai
Sou alguém que brinca com as palavras para redimensionar fatos da realidade. Afinal, a VIDA é muito mais linda com um toque de literatura e poesia. Boa leitura a todos!
Visualizar meu perfil completo
 
Blog da Elienai©