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domingo, 10 de junho de 2012

DIA DOS NAMORADOS (sem namorado)

Quando eu ouvia “ E todos dançam pega estica e puxa....E viva a Festa da Xuxa”, o dia Dos namorados não tinha muito sentido para mim. Lembro-me só das lojas decoradas com corações vermelho-sangue. Essa lembrança me faz refletir o quanto o símbolo e a cor das paixões dilacerantes já me encantavam. Quando eu passei a ouvir “ Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão, sem querer eles me deram as chaves que abrem essa prisão”(Engenheiros do Havaí), descobri que além de as nuvens não serem de algodão, havia sentimentos estranhos por pessoas desconhecidas que , de repente, tomavam conta do nosso coração como saqueadores destemidos. Assim, sem pedir licença. E...timidamente, passei a querer viver, ao lado dessa pessoa que habitava os meus sonhos mais secretos, um “Dia dos Namorados” Então, seguindo o ciclo da vida, comecei o ouvir “E o que foi prometido/ ninguém prometeu/ nem foi tempo perdido/SOMOS TÃO JOVENS” (Legião Urbana). Nessa fase, passei a IDEALIZAR o Dia dos namorados. Era uma necessidade que eu precisava viver. Vital, como respirar. Um direito a ser conquistado. E não é que conquistei esse DIREITO! E vivenciei meu primeiro DIA dos Namorados, com namorado, ouvindo “Migalhas dormidas do seu pão/raspas e restos me interessam” (Cazuza). O importante não era refletir sobre o que eu estava vivendo, o relevante era que eu pertencia à tribo dos que tinham namorado. E lá se foram 6 anos da minha vida, ouvindo “Sempre precisei de um pouco de atenção/Acho que não sei quem sou/só sei do que não gosto/nesses dias tão estranhos/fica a poeira se escondendo pelos cantos” (Legião Urbana). Mas...eu vivi, todos esses anos, o Dia dos Namorados, com namorado. Não era isso que importava? Um dia acordei cantando “Ideologia, eu quero uma para viver” (Cazuza). Senti-me forte, diferente, peguei as malas e, literalmente, fui estudar na capital ouvindo “Nem tudo é como você quer/nem tudo pode ser perfeito/ pode ser fácil se você ver o mundo de outro jeito” (Capital inicial). Embora olhando e me posicionando no mundo de outra forma, o Dia dos Namorados, com namorado, ainda era dia fundamental na minha existência. Então, eu, meio sem querer, comecei a cantar “Foi assim como ver o mar/a primeira vez que meus olhos se viram no seu olhar/não tive a intenção de me apaixonar”. E quando eu menos esperei, o AMOR me vencera. E assim se passaram 8 anos, vivendo cada Dia dos Namorados ao lado da pessoa que mais amei nessa vida. Lembro que eu ouvia “Eu nunca mais vou respirar, se você não me notar/eu posso morrer de fome, se você não me amar/ por você eu faço tudo/vou mendigar, roubar, matar/até as coisas mais banais/para mim é tudo ou nunca mais” (Cazuza). E eu vivi e quase morri de tanto amar. Porém, decidi não morrer de AMOR. E ...optei por vivenciar a mais paradoxal das dores “deixar quem você ama, amando e sendo correspondida”. Optei pela solidão. Mas, estava chegando o Dia dos Namorados. E era fundamental que eu tivesse um namorado. E tive. Durante quase 3 anos, ouvimos juntos ”Quando estiver triste, simplesmente, me abrace/quando estiver louco subitamente se afaste...Mesmo que o mundo acabe enfim/dentro de tudo o que cabe em ti”. (Skank). Foram os Dias dos Namorados mais tranquilos da minha vida. Todavia, o encanto acabou....E agora? E o Dia dos namorados do ano de 2010? Como eu ia passar uma data tão fundamental sem um namorado? Então, o antigamente tão esperado, mas agora temido 12 de junho de 2010 chegou. E eu estava só, ouvindo ”E quase o ano inteiro os dias foram noites, noites para mim/ seu sorriso se foi/minha canção também/ e eu jurei por DEUS não morrer por AMOR e continuar a Viver” (IRA). Lembro-me que nesse Dia dos Namorados, eu nem queria sair à rua. Afinal, eu queria compartilhar da magia desse dia. Mas isso era impossível, estando tão só. Até então eu achava que passar o Dia dos namorados, sem namorado, era sentença de morte. Por isso, dormi e levei o maior susto quando acordei no dia 13 de junho. Abri os olhos e pensei “Como assim??!! Não morri??!! Meu Deus! Estou vivaaaaa! . (Logo, acreditem, todo mundo sobrevive a um Dia dos Namorados, sem namorado) No outro ano, no dia 12 de junho, como descobri que Dia dos namorados, sem namorado, não mata ninguém, eu sai de casa, mas só conseguia ouvir essa música “Qual o segredo da Felicidade? Será preciso ficar só para se viver?” (Kid Abelha). Hoje, estou aqui escrevendo sobre o Dia dos Namorados, sem namorado. Vejam que ironia! Afinal, logo eu que sou tão romântica, eu que falo e defendo tanto o AMOR. Vocês devem estar se perguntando “que música estou ouvindo esse ano?”. Hoje ouço “Meu caminho é cada manhã/não procure saber onde estou/meu destino não é de ninguém/eu não deixo os meus passos no chão”(Capital Inicial). Perceberam a mudança na letra da música da minha vida? Logo, nesse 12 de junho de 2012, quero desejar “Feliz Dia dos Namorados” a todos nós que amamos e somos amados. Afinal, namorar é muito mais que ter namorado. Namorar, já dizia Drummond, é “querer tomar sorvete em dia de chuva”. Namorar é se AMAR. É conviver com você mesmo e se sentir bem com sua presença. Felizes os que, nesta terça-feira podem dizer a seus namorados o quanto amam. E poder ouvir que são amados também. Mas, Felizes também somos nós que amadurecemos o suficiente para compreender que o “Dia dos namorados” é nosso também, porque nos amamos tanto que nossa FELICIDADE comunga com todos os casais apaixonados. Essa é a verdadeira energia do UNIVERSO DO AMOR. Amar uns aos outros, Namorar a nós mesmos e a Vida, SEMPRE- Esse é o segredo da FELICIDADE. Feliz Dia dos Namorados para todos nós que NAMORAMOS essa “Vida louca vida/vida breve/já que eu não posso te levar/quero que você me leve”(Lobão)

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Elienai Lorelai
Sou alguém que brinca com as palavras para redimensionar fatos da realidade. Afinal, a VIDA é muito mais linda com um toque de literatura e poesia. Boa leitura a todos!
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